quarta-feira, 28 de maio de 2014

Relações precoces e Relações interpessoais

Estereótipo

Corresponde a generalizações, ou pressupostos, que as pessoas fazem sobre as características ou comportamentos de grupos sociais específicos ou tipos de indivíduos que tanto pode resultar numa avaliação positiva como uma avaliação negativa.
O estereótipo é geralmente imposto, segundo as características externas, tais como a aparência (cabelos, olhos, pele), roupas, condição financeira, comportamentos, cultura, sexualidade, sendo estas classificações – categorização- nem sempre positivas que podem e muitas vezes causar certos impactos negativos nas pessoas.

Exemplos:
·         Estereótipo de género: papel da mulher e do homem.
·         Estereótipo racial e étnico: contra negros, muçulmanos, ciganos, alemães, asiáticos.
·         Estereótipo socioeconómico: os mendigos, os milionários.
·         Estereótipo da sexualidade: lésbicas, homossexuais, transsexuais, bissexuais.
·         Estereótipo sob grupos de indivíduos: góticos, políticos, skinheads, loiras.

Há estereótipos que funcionam como guias de comportamento e códigos de comunicação. É o caso dos conceitos de idade, sexo, profissão, religião, classe social, etc., que ajudam, por um lado, a prever comportamentos e, por outro, ajudam ao estabelecimento de laços entre as pessoas.


Preconceito               

O preconceito, do grego prae (antes) e conceptu (conceito), traduz a apreensão de uma série de crenças e valores que são aplicados a determinadas realidades antes que essa realidade seja objetivamente vivida e avaliada por si mesma.
 Em termos sociais ou étnicos, o preconceito consiste numa ideia construída sobre o "outro" antes de o conhecer efetivamente e dispensando mesmo a necessidade dessa experiência, já que o conceito mental substitui a própria realidade. Tanto o estereótipo como o preconceito traduzem generalizações; a diferença é que enquanto o primeiro é uma realidade objetivamente apercebida e depois generalizada a outras realidades, o segundo é a "invenção" ou "ideia" de uma realidade subjetiva que é generalizada ao real, substituindo-o.
A relação entre estereótipo e preconceito é pertinente, na medida em que a formulação de muitos estereótipos reside na prévia existência de preconceitos e vice-versa.
 “O amor não vê defeitos , com o ódio não vê qualidades" Allport


Discriminação

A discriminação refere-se a atitudes que prejudicam os sujeitos pertencentes a determinados grupos sociais e resulta de processos sociais que molestam os membros desses grupos. A discriminação, portanto, estará configurada quando existir uma ação ou omissão que dispense um tratamento diferenciado (inferiorizado) a uma pessoa ou grupo de pessoas, em razão da sua pertença a uma determinada raça, cor, sexo, nacionalidade, origem étnica, orientação sexual, identidade de género, ou outro fator.
A discriminação pode ser direta ou indireta:

Direta – sempre que, em razão da origem racial, étnica, nacional ou outra uma pessoa seja objeto de tratamento menos favorável do que aquele que é, tenha sido ou possa vir a ser dado a outra pessoa em situação comparável.
Por exemplo, o proprietário de um imóvel que se recusa a arrendar para cidadãos estrangeiros realiza uma discriminação direta;

Indireta – sempre que disposição, critério ou prática, aparentemente neutro, coloque pessoas de uma dada origem racial, étnica, nacional ou outra numa situação de desvantagem comparativamente com outras pessoas.
Por exemplo, uma empresa que tenha como condição para a promoção dos funcionários o facto de falar a língua portuguesa sem sotaque, pode parecer um critério neutro, mas acaba por excluir todos os funcionários que não tenham o português como língua nativa (a não ser que a função a ser exercida justifique que o candidato apresente uma determinada dicção, como no caso dos tradutores).
No século XX, grande número de países passou a prever na sua legislação a ilegalidade da discriminação, não só de tipo direto mas também indireto, precisamente para operacionalizar o reconhecimento de princípios básicos de igualdade.
No âmbito dos crimes, temos os chamados crimes de ódio, que podem ser definidos como a prática efetiva de atos de violência motivados pelo facto de a vítima apresentar determinada característica (como certa origem racial, orientação sexual ou origem nacional, por exemplo) ou de pertencer a um determinado grupo (como ser seguidora de uma religião). Esta motivação racista ou preconceituosa pode levar à aplicação de uma pena mais elevada, pois o crime passa a ser considerado como qualificado (crimes de ofensa à integridade física qualificada e homicídio qualificado).


Cooperação versus Competição

Experiência de Muzafer

Muzaferd Sherif dividiu num campo de férias de Verão dois grupos de rapazes, as “águias” e as “serpentes”. Estes depois de passarem por uma primeira fase de cooperação, foram sujeitos a jogos e atividades de competitividade. Na segunda fase verificou-se que o nível de competitividade aumentou, manifestando-se na segunda semana como um fonte rivalidade. Na terceira fase os investigadores excluíram as actividades competitivas e procuraram que os rapazes se unissem, favorecendo o contacto entre eles. Contudo, o que se verificou é que existia grande conflito entre as pessoas pertencentes a diferentes grupos, o que impedia o seu relacionamento. Na quarta e última fase, foram obrigados a realizar atividades de cooperação essenciais para ambos e que só resultavam se os dois grupos se unissem; por fim, foram obrigados a comunicarem e a conhecer-se, acabando por criar laços de amizade.

Acontecem três coisas:
1- As relações interdependentes, nas quais a cooperação é reforçada, levam a uma motivação mais forte para completar a tarefa comum.
2- O trabalho de grupo desenvolve uma amistosidade considerável entre os membros do grupo.
3- A cooperação desenvolve um processo de comunicação amplamente efetivo que tende a promover uma maximização da criação de ideias e uma maior influência mútua.



Efeitos no comportamento cooperativo

A vida no século XX é caracterizada por comunidades globais e interdependentes e por instituições sociais complexas, as quais requerem níveis elevados de cooperação entre os seus membros. Consequentemente, a maioria das pessoas valoriza o comportamento cooperativo e acredita que ele constitui um objectivo importante para a educação. Muitas das actividades extracurriculares da escola, tais como as equipas desportivas e as manifestações musicais e teatrais, são justificadas nesta base.


Conflito

É no seio destas relações que estabelecemos com os outros, que surgem, por vezes, situações em que as partes não conseguem chegar a um acordo baseado na cooperação e acabam por entrar em conflito.
O conflito pode ser identificado por uma tensão tanto ao nível individual como do grupo, devido a posições opostas sobre determinada matéria ou de interesses incompatíveis. Uma vez instalados, os conflitos, por exemplo de ordem política, pessoal ou religiosa podem ser reativados e alimentados pelos preconceitos e atitudes negativas. O agravamento tal como o atenuamento do conflito vai depender das relações internas de cada grupo, pode aumentar ou diminuir se se desenvolverem atitudes de provocação ou de conciliação respetivamente. Uma vez, que os conflitos também se geram do inconformismo presente na sociedade, e são vários os exemplos que figuram na história que demonstram a positividade deste.

nível pessoal: conflito geracional, resultante dos pontos de vistas e opiniões divergentes entre pais e filhos; Exemplificando, as discussões entre as horas de saídas a casa depois das festas

- nível social: No entanto, ao nível social, o conflito pode ser gerador de novas ideias e surgir como um foco de mudança resultado das várias interações dos grupos que constituem a sociedade.
No contributo dos conflitos entre os negros e os brancos para o reconhecimento da igualdade de todos os cidadãos, as sufragistas e revolução liberal em frança na qual resulta a morte das figuras do poder.

Formas de resolução

- Conflito e Cooperação:

- Conflito e Mediação: fazendo uso de uma terceira parte imparcial, que ajuda ambas as partes a chegarem a um consenso, como ocorre nos processos de divórcios.

- Conflito e Negociação: ambas as partes tentam chegar, voluntariamente e cordialmente a uma decisão que beneficie os envolvidos, como ocorre nos meios empresariais, entre vendedores da mesma firma, para maximizar o número de clientes.


Cooperação

A cooperação em grupos não é apenas socialmente construída ou o produto de uma escolha racional, a cooperação tem uma base genética natural.
As duas principais vias através das quais os interesses individuais levam à cooperação social são a seleção por parentesco e a reciprocidade. Desta forma, os parentes demonstram altruísmo de forma mais evidente para com aqueles que mantêm um determinado grau de parentesco. Contudo, também a cooperação também é verificada ao nível de comportamentos para com pessoas com as quais não se tem qualquer laço de sangue.

A cooperação entre os homens e a confiança que esta gera é um conceito que remonta à pré-história, em que os homens se juntavam para caçar de forma a manter a sua sobrevivência, verificada hoje em dia nas relações de trabalho de forma a reunir o maior número de clientes em determinado ramo.
Tanto a cooperação e o altruísmo recíproco emergiram originariamente porque traziam benefícios aos indivíduos que os possuíam. A capacidade de trabalhar em conjunto constituía uma vantagem competitiva para os seres humanos primitivos e por isso aquelas qualidades que reforçavam o grupo alastraram e tornaram-se uma constante, sendo um comportamento praticado nos nossos dias.  À medida que os grupos se formam, começam inevitavelmente a competir, proporcionando um nível mais alto de incentivo à cooperação entre os respetivos  membros. Nas palavras do biólogo Richard Alexander, “os seres humanos cooperam para competir.”
A linguagem veio facilitar a cooperação.

Extra: O psicólogo Nicholas Humphrey e o biólogo Richard Alexander ,sugeriram separadamente, que uma das razões por que o cérebro humano se desenvolveu tão rapidamente quanto o fez foi a necessidade que os humanos tinham de cooperar, enganar e decifrar o comportamento uns dos outros.


Mafalda Alves


Sem comentários:

Enviar um comentário